Perceber uma tomada derretendo é um sinal de alerta sério.
Esse problema indica que há aquecimento excessivo na instalação elétrica, o que pode causar curto-circuito, queima de aparelhos e até incêndios se não for resolvido rapidamente.
Muitos acreditam que o problema está apenas no equipamento ligado à tomada, mas na maioria dos casos a causa está na própria rede elétrica, nos materiais de baixa qualidade ou no mau dimensionamento do circuito.
Entender o que provoca o derretimento é o primeiro passo para corrigir e prevenir o risco.
Por que a tomada derrete
O derretimento ocorre quando a temperatura na tomada ultrapassa o limite que o material plástico suporta.
Essa elevação de temperatura normalmente está associada a correntes elétricas maiores do que o circuito foi projetado para suportar.
Em outras palavras: algo está exigindo mais energia do que a tomada pode fornecer, e o calor gerado por essa sobrecarga faz o plástico deformar ou queimar.
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Principais causas de uma tomada derretendo
1. Sobrecarga elétrica
A sobrecarga é o motivo mais comum. Ela acontece quando muitos aparelhos de alta potência são ligados na mesma tomada ou extensão, como aquecedores, ferros de passar, micro-ondas e secadores de cabelo.
Esses equipamentos consomem uma corrente muito alta, e o excesso de carga provoca aquecimento nos fios e terminais.
Sinais típicos de sobrecarga:
- Tomada quente ao toque;
- Cheiro de plástico queimado;
- Escurecimento do entorno da tomada;
- Disjuntores desarmando com frequência.
2. Mau contato elétrico
Um mau contato entre o plugue e a tomada também gera calor.
Quando o encaixe fica frouxo ou o terminal está oxidado, a passagem da corrente fica irregular, causando faíscas e aquecimento localizado.
Com o tempo, esse calor é suficiente para derreter o plástico e carbonizar os terminais metálicos.
Isso é comum em tomadas antigas, de baixa qualidade ou muito utilizadas.
3. Fios mal dimensionados
Cada circuito da casa deve ter fios compatíveis com a corrente que vai circular por ele.
Quando o fio é fino demais para a carga conectada, ele aquece excessivamente e transmite esse calor à tomada.
Por exemplo:
Um fio de 1,5 mm² é adequado para cargas leves (iluminação), mas não deve ser usado para tomadas que alimentam micro-ondas, ar-condicionado ou chuveiro elétrico.
O correto é usar cabos de 2,5 mm² ou mais, dependendo da potência dos equipamentos.
4. Instalações antigas ou malfeitas

Instalações elétricas antigas podem conter emendas improvisadas, cabos ressecados e materiais fora das normas da ABNT.
Esses problemas facilitam o superaquecimento e o derretimento das tomadas.
Além disso, em muitas casas antigas, o aterramento não existe ou está desconectado, o que aumenta o risco de fuga de corrente e choque elétrico.
5. Uso de adaptadores e extensões inadequadas
Ligar vários aparelhos em uma única tomada usando “T’s”, benjamins ou extensões comuns é uma prática perigosa.
Esses adaptadores não suportam altas correntes e provocam aquecimento nos pinos e contatos metálicos.
O resultado é o mesmo: tomada superaquecida e derretida.
O ideal é usar filtros de linha que possuem proteção contra sobrecarga e curto-circuito.
6. Tomadas de má qualidade
Nem toda tomada que se vende no mercado é segura. Produtos sem certificação não seguem os padrões de resistência e condução elétrica exigidos pela NBR 14136 (padrão brasileiro de plugues e tomadas).
Esses modelos aquecem mais rápido e perdem a firmeza de contato, facilitando o derretimento e o risco de incêndio.
O que fazer se a tomada começou a derreter
Se você notar que a tomada está quente, deformada ou com cheiro de queimado, desligue tudo imediatamente.
Passo a passo:
- Desconecte os aparelhos da tomada.
- Não toque na tomada derretida até ela esfriar completamente.
- Não tente reaproveitar a tomada ou os fios.
- Chame um eletricista qualificado para avaliar o circuito e substituir o conjunto.
O profissional poderá medir a corrente do circuito, verificar se há sobrecarga e dimensionar corretamente o cabeamento.
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Como evitar que a tomada derreta novamente
A prevenção é a melhor forma de garantir segurança elétrica. Alguns cuidados simples podem evitar o problema:
1. Evite ligar vários aparelhos na mesma tomada
Cada tomada tem um limite de corrente (geralmente 10 A ou 20 A).
Respeite esse limite e distribua os equipamentos em circuitos diferentes.
2. Use apenas produtos de boa qualidade
Tomadas, plugues, extensões e filtros de linha devem ser compatíveis com a potência dos aparelhos conectados.
3. Verifique periodicamente o estado das tomadas
Toques de leve na tomada podem revelar aquecimento anormal.
Se estiver quente ou soltando cheiro, desligue o circuito e chame um eletricista.
4. Faça manutenção na instalação elétrica
Instalações com mais de 10 anos devem ser revisadas.
Fios ressecados, disjuntores antigos e ausência de aterramento são fontes de risco elétrico.
5. Evite improvisações
Nunca use “T”, benjamins ou extensões simples para ligar vários aparelhos de alto consumo.
Prefira filtros de linha de boa qualidade ou tomadas adicionais instaladas corretamente.
Quando chamar um eletricista
Você deve buscar ajuda profissional sempre que notar:
- Tomadas aquecendo ou escurecendo;
- Queda de energia ao ligar equipamentos;
- Disjuntores desarmando constantemente;
- Cheiro de queimado próximo ao quadro elétrico.
Esses sinais indicam que a rede elétrica está operando acima da capacidade.
O eletricista pode medir as correntes, ajustar disjuntores, trocar fios e orientar sobre o uso correto de cada circuito.
A importância do disjuntor certo
Um erro comum é usar disjuntores com corrente maior do que a dos fios do circuito.
Isso faz com que o disjuntor não desarme mesmo quando há sobrecarga, permitindo que o fio aqueça até derreter.
Por exemplo:
- Fio de 1,5 mm² → disjuntor de 10 A
- Fio de 2,5 mm² → disjuntor de 20 A
- Fio de 4 mm² → disjuntor de 25 A
Essas combinações seguem as normas da NBR 5410, que define os parâmetros de segurança em instalações elétricas de baixa tensão.
O perigo do fogo invisível
Quando uma tomada começa a derreter, o problema não está restrito ao plástico visível.
A parte interna pode continuar quente, liberando gases tóxicos e até mantendo uma chama oculta.
Por isso, é comum que incêndios domésticos tenham origem em curtos dentro de tomadas ou extensões antigas.
Desligar o disjuntor e substituir o conjunto é a única forma segura de eliminar o risco.
Tomadas especiais e proteção extra
Para ambientes com grande demanda de energia, como escritórios, cozinhas e áreas de serviço —, vale a pena investir em:
- Tomadas de 20 A, com contatos mais espessos e maior capacidade de corrente.
- DPS (Dispositivo de Proteção contra Surtos), instalado no quadro elétrico.
- Nobreaks e filtros de linha inteligentes, que estabilizam a tensão e protegem contra picos.

Esses dispositivos aumentam a durabilidade dos equipamentos e reduzem o risco de aquecimento nas tomadas.
Conclusão
Uma tomada derretendo é sempre um sintoma de problema elétrico grave.
O calor excessivo pode vir de sobrecarga, mau contato, fios finos, adaptadores inadequados ou materiais de baixa qualidade.
Ignorar o problema coloca em risco a segurança da casa e das pessoas.
A solução segura é desligar imediatamente o circuito, substituir a tomada e verificar toda a instalação com um profissional qualificado.
Com manutenção preventiva, dimensionamento correto dos fios e uso de materiais certificados, é possível evitar o derretimento das tomadas e garantir segurança, durabilidade e eficiência energética.
