*Por Jamil Mouallem
O gol pode até durar poucos segundos. Mas, para que bilhões de pessoas assistam a esse momento em tempo real, existe uma engrenagem invisível funcionando sem margem para falhas.
A Copa do Mundo deixou de ser apenas um espetáculo esportivo há muito tempo. Hoje, ela é também um dos maiores testes globais de infraestrutura tecnológica, energética e operacional do planeta.
Em 2026, o torneio terá a maior operação de sua história: 48 seleções, jogos distribuídos entre Estados Unidos, Canadá e México, milhões de turistas circulando simultaneamente e uma audiência digital que ultrapassa qualquer edição anterior. Só que, enquanto os olhos do mundo estarão voltados para os gramados, outra disputa acontecerá longe das câmeras: a capacidade da infraestrutura de sustentar tudo isso sem interrupções.
Porque, no cenário atual, um simples “piscar” de energia já não representa apenas um inconveniente. Pode significar falhas em transmissões ao vivo, paralisação de sistemas de segurança, interrupções em operações logísticas, instabilidade em redes de comunicação e impactos em toda a experiência digital do público.
E essa pressão cresce em ritmo acelerado. Segundo a Gartner, o consumo de eletricidade de data centers deve crescer 16% em 2025 e praticamente dobrar até 2030, saltando de 448 TWh para 980 TWh, impulsionado, principalmente, pelo avanço da inteligência artificial e da demanda digital global. O dado ajuda a entender uma transformação silenciosa: grandes eventos esportivos estão se tornando operações digitais de altíssima complexidade energética.
Resiliência Energética
Hoje, a experiência da Copa acontece em múltiplas camadas simultaneamente. Está no streaming em alta definição, nos aplicativos em tempo real, nas plataformas de apostas, nos sistemas biométricos, nos centros de monitoramento, na segurança conectada, nas operações de mobilidade urbana e até no funcionamento das estruturas comerciais dentro dos estádios.
Tudo depende de continuidade e existe uma ironia interessante nisso. Quanto mais digital o mundo se torna, mais vulnerável ele fica a algo extremamente básico: qualidade de energia.
A discussão sobre infraestrutura em grandes eventos normalmente gira em torno de arenas modernas, conectividade e inovação tecnológica. Mas pouco se fala sobre o que sustenta toda essa operação funcionando de maneira estável. Afinal, não existe inteligência artificial, transmissão global ou experiência imersiva capaz de sobreviver à instabilidade elétrica e mais do que evitar apagões, infraestrutura energética hoje significa garantir previsibilidade operacional.
E talvez esse seja um dos maiores legados invisíveis da Copa de 2026. Não apenas mostrar evolução tecnológica, mas evidenciar que o futuro dos grandes eventos dependerá cada vez mais da capacidade de integrar energia, proteção, conectividade e resiliência em uma única operação contínua. Porque, enquanto a bola rola, o mundo inteiro espera que nada pare.
*Jamil Mouallem é sócio-diretor da TS Shara, indústria nacional fabricante de nobreaks, inversores e estabilizadores de tensão e protetores de rede inteligente.
Fonte: Data Center Dynamics – 19/06/26
