*Por Jamil Mouallem
Quando a luz se apaga em uma sala de aula ou em um laboratório universitário, o impacto vai muito além da escuridão momentânea. Interrompe-se a transmissão de conhecimento, suspendem-se atividades pedagógicas e, nos casos em que o ensino remoto ou híbrido é necessário, a exclusão digital se aprofunda. Em um mundo que já não concebe o aprendizado sem tecnologia, garantir energia estável deixou de ser mera comodidade para se tornar condição básica de justiça educacional e competitividade.
No Brasil, os avanços na infraestrutura escolar são visíveis, e devem ser reconhecidos, mas ainda insuficientes diante das exigências atuais. Dados oficiais divulgados em janeiro de 2026 pela Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec) indicam que 98,7% das escolas públicas brasileiras contam com fornecimento de energia elétrica, um índice elevado, mas que revela que cerca de 1,3% das unidades ainda operam em condições precárias ou instáveis. Em números absolutos, isso representa milhares de estudantes e professores em situação de vulnerabilidade educacional.
De acordo com a mesma base de dados da Enec, 70% das escolas públicas já dispõem de conectividade adequada para fins pedagógicos, resultado de um avanço importante nos últimos anos. Ainda assim, esse percentual expõe lacunas significativas no acesso pleno à educação digital em todo o território nacional.
Esses dados reforçam um ponto central: energia e conectividade caminham juntas no ambiente educacional do século 21. Sem fornecimento elétrico confiável, não há internet, não há aulas online, não há laboratórios em funcionamento nem infraestrutura mínima para os dispositivos que apoiam a aprendizagem contemporânea. Essa dependência torna-se ainda mais evidente quando se consideram cenários de ensino remoto, prática que, embora intensificada durante a pandemia de COVID-19, consolidou-se como componente legítimo da educação moderna, seja em situações de emergência, eventos climáticos extremos, dificuldades de deslocamento ou na ampliação do acesso à especialização a distância.
Falhas no fornecimento de energia não apenas interrompem aulas. Elas comprometem sistemas de segurança, paralisam climatização e alarmes, inviabilizam pesquisas em andamento e prejudicam experiências pedagógicas que dependem de plataformas digitais e softwares educacionais. No contexto universitário, onde laboratórios e centros de pesquisa operam equipamentos sensíveis e de alto custo, os riscos associados à instabilidade elétrica ampliam significativamente o impacto de uma simples queda de energia.
Há ainda uma dimensão social que não pode ser ignorada. Enquanto regiões metropolitanas tendem a contar com infraestrutura mais resiliente, muitas escolas localizadas em áreas rurais ou de difícil acesso continuam enfrentando desafios estruturais básicos, chegando, em alguns casos, a depender de geradores ou soluções provisórias. Essa realidade evidencia uma verdade incômoda: a educação de qualidade seguirá sendo desigual enquanto o problema energético não for enfrentado de forma estrutural.
Reverter esse cenário exige um olhar estratégico que vá além da simples ampliação do acesso. É necessário planejar uma infraestrutura elétrica capaz de garantir não apenas a presença de energia, mas sua qualidade, segurança e continuidade. Isso passa por integrar políticas de energia e conectividade, reconhecer a eletricidade como pré-requisito para a educação digital e direcionar investimentos para regiões mais vulneráveis, com base em dados e critérios de equidade.
Ao olharmos para 2026, a reflexão que se impõe não é apenas técnica, mas ética. Se o objetivo é formar cidadãos preparados para os desafios do futuro, não é aceitável que a falta de energia interrompa o acesso ao conhecimento. A educação depende de eletricidade estável da mesma forma que um organismo depende de oxigênio: sem ela, simplesmente, não prospera.
*Jamil Mouallem é sócio-diretor da TS Shara indústria nacional fabricante de nobreaks, inversores e estabilizadores de tensão e protetores de rede inteligente.
Fonte: PartnerSales – 11/02/26
