Cidades cheias, redes sobrecarregadas: o impacto do turismo e das festas no risco de apagões

Foto de Jamil Mouallem - Diretor Comercial

Alta temporada de Verão amplia fluxo de pessoas, pressiona a infraestrutura elétrica urbana e acende o alerta para falhas no fornecimento de energia

Com a chegada da alta temporada de Verão, o Brasil se prepara para receber um volume significativamente maior de visitantes, tanto em destinos turísticos tradicionais quanto em grandes centros urbanos. De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear), as companhias aéreas programaram 150 mil voos e cerca de 20 milhões de assentos entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, somando destinos nacionais e internacionais. O número representa uma alta de 15% em relação ao mesmo período de 2024, impulsionada pela oferta de mais de 9 mil voos extras e 1,4 milhão de assentos adicionais.

Esse crescimento expressivo no deslocamento de pessoas tem impacto direto sobre a infraestrutura das cidades, especialmente nos serviços essenciais. Entre eles, a rede elétrica urbana, que precisa absorver picos de consumo concentrados em períodos curtos, impulsionados por hotéis cheios, comércio em horário estendido, eventos, festas e maior uso de sistemas de climatização.

Em cidades turísticas, onde a população flutuante pode dobrar ou até triplicar durante a alta temporada, a sobrecarga da rede elétrica se torna um risco recorrente. Oscilações de energia, quedas momentâneas e apagões não afetam apenas o conforto de moradores e turistas, mas também serviços críticos, como hospitais, sistemas de segurança, transporte, telecomunicações e o funcionamento do comércio local.

De acordo com Jamil Mouallem, engenheiro elétrico e sócio-diretor da TS Shara, períodos de alta concentração de pessoas expõem um problema estrutural antigo. “O aumento repentino do consumo de energia em cidades turísticas não é novidade, mas o que chama atenção é como muitas redes ainda operam no limite. Em épocas de festas e férias, qualquer oscilação pode se transformar em prejuízo para o comércio, serviços essenciais e até para a segurança das pessoas”, afirma.

Segundo o executivo, o risco não está apenas nos apagões prolongados, mas também nas variações de tensão, muitas vezes imperceptíveis, que podem causar falhas em sistemas eletrônicos, queima de equipamentos e interrupções operacionais. “Esses eventos costumam passar despercebidos no debate público, mas são extremamente comuns em momentos de sobrecarga da rede”, explica.

A importância da prevenção em períodos de alta demanda

Em cenários de consumo intenso e concentrado, como o Verão e grandes eventos, a infraestrutura elétrica se torna um ponto crítico para a continuidade das atividades. A adoção de medidas preventivas ajuda a reduzir impactos operacionais e evita danos a equipamentos e sistemas essenciais, especialmente em estabelecimentos que não podem parar, como hotéis, restaurantes, centros comerciais e serviços públicos.

Mouallem reforça que a prevenção deve fazer parte do planejamento sazonal. “Não se trata de reagir ao problema depois que ele acontece, mas de antecipar riscos. Energia estável é um fator-chave para manter operações funcionando, preservar equipamentos e garantir uma boa experiência para moradores e visitantes”, pontua.

Dicas práticas do especialista para enfrentar períodos de sobrecarga elétrica

1. Mapear os pontos mais sensíveis da operação: Identificar quais equipamentos e sistemas não podem sofrer interrupções ajuda a priorizar medidas de proteção.

2. Evitar improvisos em instalações elétricas: Ligações sobrecarregadas e adaptações temporárias aumentam significativamente o risco de falhas e danos.

3. Investir em proteção contra oscilações de energia: Medidas preventivas ajudam a absorver variações da rede e reduzem o impacto de picos e quedas momentâneas de energia.

4. Planejar a alta temporada com antecedência: Assim como estoque e equipe são reforçados, a infraestrutura elétrica também precisa ser revisada antes dos períodos de maior demanda.

Para Mouallem, o crescimento do turismo é uma oportunidade, mas também um alerta. “Cidades que se preparam melhor do ponto de vista energético conseguem atravessar a alta temporada com mais segurança, menos interrupções e mais confiança de quem vive e de quem visita”, conclui.

Fonte: PartnerSales (20/01/26)

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