Baixa do Sistema Cantareira reacende debate sobre resiliência energética

Especialista da TS Shara explica como períodos de estiagem prolongada pressionam a infraestrutura de energia e reforçam a necessidade de proteção contra oscilações e blecautes

O Sistema Cantareira, um dos maiores complexos de captação e tratamento de água do mundo e responsável por abastecer cerca de 46% da Região Metropolitana de São Paulo (aproximadamente 9 milhões de pessoas), voltou a operar abaixo de 40% do seu volume útil. O nível crítico reflete uma queda contínua nos reservatórios nos últimos meses e acende um alerta que vai além do abastecimento de água: a necessidade urgente de fortalecer a resiliência da infraestrutura energética do país diante de eventos climáticos extremos.

Embora o Brasil possua uma matriz energética diversificada, a escassez hídrica regional atua como um termômetro para o setor elétrico. Períodos prolongados de estiagem reduzem o nível dos principais reservatórios de geração do Subsistema Sudeste/Centro-Oeste, aumentando o acionamento de usinas termelétricas, elevando os custos operacionais e exigindo um gerenciamento mais complexo da rede elétrica, especialmente nos momentos de picos de demanda.

“A redução acentuada nos reservatórios é um sinal de alerta que ultrapassa a questão do abastecimento de água. Ela evidencia como infraestruturas críticas estão interligadas e como eventos climáticos severos podem gerar impactos em cadeia na estabilidade da rede. Mesmo quando a crise não resulta em grandes apagões nacionais, o estresse do sistema provoca oscilações de tensão e interrupções pontuais que são suficientes para paralisar operações, queimar componentes eletrônicos e causar prejuízos severos a equipamentos sensíveis”, explica Pedro Al Shara, CEO da TS Shara, fabricante nacional de equipamentos de proteção de energia.

Segundo o executivo, esse cenário exige que indústrias, hospitais, condomínios, comércios e residências revisem seus planos de contingência e continuidade operacional para mitigar os riscos decorrentes da instabilidade elétrica.

Como reduzir os impactos?

Para garantir a segurança das operações em períodos de maior vulnerabilidade da rede, especialistas recomendam quatro ações essenciais:

  • Mapeamento de cargas críticas: Identificar quais equipamentos e sistemas não podem sofrer interrupções (servidores, maquinários industriais, sistemas de segurança e equipamentos médicos).
  • Uso de Nobreaks (UPS): Adotar sistemas de energia ininterrupta com autonomia dimensionada para manter as atividades essenciais ativas durante falhas ou permitir o desligamento seguro dos aparelhos.
  • Dispositivos de Proteção contra Surtos (DPS): Instalar barreiras físicas contra picos de tensão provocados por manobras na rede elétrica da concessionária.
  • Manutenção preventiva: Revisar periodicamente subestações, quadros elétricos e baterias dos sistemas de backup antes que os períodos críticos de estresse na rede comecem.

“A discussão sobre segurança energética precisa deixar de ser reativa. Não podemos mais pensar em proteção apenas quando falta energia. O cenário climático atual mostra que resiliência significa preparar a infraestrutura privada para operar com segurança em cenários adversos. Esse planejamento é um investimento estratégico que protege a receita, evita perdas materiais e garante a continuidade dos negócios”, conclui Pedro Al Shara.

 

Fonte: Gazeta da Semana – 07/07/26

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